quinta-feira, 4 de julho de 2013

Acidente da plataforma no Soyo, não tem posição pública da Chevron, nem dos Ministérios que deviam estar envolvidos no assunto.


A notícia sobre o acidente da plataforma da Chevron no Soyo, que ocorreu na segunda feira desta semana, não teve ainda esclarecimento público da Chevron a empresa responsável pela plataforma “Perro Negro 6”, de acordo com a informação no Jornal de Angola no do dia 3 de Julho. Não há nenhuma informação no site da Chevron e nenhum comunicado foi feito quer pelo Ministério do Ambiente ou pelo Ministério dos Petróleos.
 
Segundo o Jornal de Angola, a base do Kwanda prestou os primeiros socorros e os feridos foram transferidos para Luanda. Afinal um acidende como este tem sempre impacto no meio ambiente, o Ministerio do Ambiente não pode simplesmente confiar nas declarações da empresa que afirma que não existem danos ambientais.
A plataforma é propriedade da petrolífera italiana Saipem, empresa subcontratada pela Chevron para perfurar um poço de petróleo no Soyo. Segundo o Jornal de Angola de hoje, 103 trabalhadores que se encontravam a bordo da sonda “Perro Negro 6”, que se afundou na segunda-feira em águas profundas, no município do Soyo, província do Zaire, já se encontram em Luanda e fora de perigo, estando apenas uma pessoa desaparecida.
A "Perro Negro 6", construída em 2009, na Indonésia, estava alugada à companhia
americana Chevron até 2015.
Segundo informações do jornal de Angola o acidente ocorreu na sequência de um colapso, no fundo do mar, de uma das três bases de sustentação da sonda, que foi logo no inicio da exploração. Como é que a Chevron subcontrata uma empresa cujas medidas de segurança são duvidosas? Como é que o acidente ocorre mesmo antes da perfuração? Como é que a tal paltaforma foi montada?
Será que podemos acreditar que a 40 metros de profundidade não houve vitimas mortais? Não se consegue assegurar isso principalmente quando a empresa responsável, como a Chevron não faz nenhum comunicado a informar o sucedido.
Vamos esperar por mais desenvolvimentos e um pronunciamento da Chevron e dos Ministerios dos Petróleos e do Ambiente.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Índice de Gestão dos Recursos Naturais de 2013


Na semana passada, a organização norte-americana sem fins lucrativos Revenue Watch Institute divulgou o seu Índice de Gestão dos Recursos Naturais de 2013 – que mede a transparência e a prestação de contas nos sectores de petróleo, gás e mineração em 58 países.
Os resultados revelam que apenas 11 dos 58 países avaliados têm padrões satisfatórios de transparência e prestação de contas em petróleo, gás e mineração. Nos outros 47 países, os cidadãos carecem de informações fundamentais sobre como as  receitas provenientes dos recursos naturais são utilizadas.
O Índice de Gestão dos Recursos Naturais  mede quatro componentes principais (quadro institucional e jurídico, praticas de fornecimento de informações, garantias e controlo de qualidade e ambiente propício para boa governação), é um passo importante para dar aos cidadãos e à sociedade civil uma voz nas decisões que são feitas sobre os recursos naturais. A  má governação do petróleo, gás e mineração afecta cerca de 450 milhões de pessoas que vivem em países dependentes destes recursos.
E como é que Angola classifica-se no índice? Angola ocupa o número 40 num grupo de  58 países, classificados em ordem decrescente de acordo com o grau de satisfação.
No quadro institucional e jurídico: a pontuação de 33/ 58,  contagem 58/ 100.
Angola recebeu uma contagem "parcial" de 58.  Enquanto leis abrangentes cobrem a indústria petroleira, Angola não tem nenhuma legislação de liberdade de informação e não participa na Iniciativa de Transparência das Indústrias Extractivas.
A empresa petrolífera estatal, Sonangol, mantém o controlo central sobre o sector, apesar dos poderes regulamentares nominais do Ministério dos Petróleos. A Sonangol determina e recolhe os lucros de petróleo devido ao governo, enquanto o Ministério de Finanças recolhe impostos de rendas das empresas. As contas da Sonangol não são especificamente incluídas no balanço do sector público, e Angola não adoptou nenhuma regra que exige a divulgação de informações no sector extractivo. Avaliações de impacto ambiental são exigidos por lei mas não são publicadas.
Praticas de fornecimento de informações: pontuação 36/58, contagem 43/ 100
A provisão de informações no sector petrolífero é “fraca”, com pouca informação disponível sobre os termos do contrato e dados incompletos sobre os fluxos de receitas e produção.
A Sonangol publicou informações detalhadas sobre a licitação para a última volta  de licenciamento no período de 2007-2008. Um contrato de partilha de produção modelo serve como base para todas as licenças de petróleo, mas o governo não publica termos negociados específicos para exploração, produção ou contratos com empresas.
O Ministério de Finanças tem publicado dados antes de 2007 sobre volumes de produção, receitas provenientes dos impostos petrolíferos e bónus. Também publica valores mensais de exportações do recurso e dados de produção por bloco. O Ministério de Petróleo publica relatórios regulares de produção e de exportação por bloco, a participação do governo nos contratos de partilha de produção e as empresas que operam no país. Tem publicado informações até 2007, sobre as reservas, preços, investimentos em exploração e desenvolvimento, custos de produção, subsídios e impostos especiais. O banco central também publica informações sobre os preços e valor das exportações de recursos naturais.

Salvaguardas e controles de qualidade: pontuação 33 /58, contagem 52 /100
 
A contagem "parcial" de Angola de 52, reflecte vários passos positivos em direcção a uma maior transparência, incluindo os requisitos abrangentes de divulgação, conflictos de interesse e cheques significativos no processo de licenciamento, junto com supervisão inadequada do processo orçamental e do fundo de recursos naturais.
A Sonangol supervisiona o processo de licenciamento, que se destina a ser aberto e competitivo, mas a negociação directa é permitida, porém  não está claro se os procedimentos de recurso de licenciamento são seguidas na prática. Enquanto os auditores nacionais têm autoridade para auditar as receitas do petróleo, eles enfrentam limitações de capacidade consideráveis e há pouca fiscalização legislativa do sector petrolífero.
Ambiente Propício Para Uma Boa Governação: pontuação 48 / 58, contagem 15 / 100
 Esta contagem "deficiente" de 15 é o mais baixo de Angola entre todos os componentes do Índice de Gestão dos Recursos Naturais de Angola está perto do fim das classificações globais para corrupção e estado de direito.
Empresas Estatais: pontuação 13 /45, contagem 70 /100

A Sonangol é totalmente detida pelo governo. Além de supervisionar o sector petrolífero, a empresa contribui para a a subsidio do combustível e empreende outras actividades quase-fiscais. O relatório da Sonangol de 2010 incluiu pela primeira vez,  detalhes sobre as reservas, os volumes de produção, custos de produção, os valores de
exportação de recursos por bloco, as estimativas de investimentos em pesquisa e desenvolvimento, os nomes das empresas que operam no país, dados de produção por bloco, actividades parafiscais , a participação do governo nos contratos de partilha de produção, os impostos especiais, bónus, dividendos, taxas de licença e as taxas da área de exploração. As declarações financeiras da Sonangol são auditadas de forma independente e incluem as contas consolidadas, que cobrem todas as suas subsidiárias.

Fundos dos Recursos Naturais: pontuação 16 /23, contagem 25 /100
Em 2004, Angola estabeleceu um Fundo de Reserva administrado pelo banco central para conservar lucros inesperados em tempos de altos preços do petróleo. Não há informações sobre os activos, transacções ou investimentos do fundo. Em 2011, a Assembleia Nacional aprovou uma lei exigindo que certas receitas fiscais do petróleo sejam depositadas no fundo. Com aprovação presidencial essas receitas podem ser usadas para cobrir despesas orçamentais nacionais.
As Transferências Sub-nacionais: pontuação 24 /30, contagem 33 /100
O governo transfere uma percentagem de receitas fiscais de petróleo a regiões produtoras. As regras para estas transferências são publicadas para algumas províncias, mas os valores não são relatados pelo governo central.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Kofi Annan e o Painel para o Progresso de África Criticam o Flagelo dos Recursos Naturais em África


Foi divulgado na semana passada o relatório de 2013 sobre “Equidade na Indústria Extractiva”, onde se abordam as medidas a tomar para garantir que o boom do petróleo, gás e mineração em África beneficie realmente o povo africano e não um grupo ou elite. O referido relatório foi divulgado pelo Painel Para o Progresso de África – que defende um desenvolvimento equitativo e sustentável para África e de que fazem parte notáveis personalidades como o ex-secretário-geral das Nações Unidas Kofi Annan, ex-presidente da Nigéria, general Olusegun Obasanjo e a ex primeira dama de Moçambique, Graça Machel.
O relatório conclui que uma impressionante década de crescimento económico, não trouxe investimentos comparáveis nos sectores da saúde, educação e alimentação em muitos países de África. Em vez de contribuir para o desenvolvimento dos países africanos, as receitas provenientes da exploração dos recursos naturais, tais como petróleo, gás e minerais, alargou desigualdades e o fosso entre ricos e pobres.
África perdeu duas vezes mais em fluxos financeiros ilícitos, do que recebeu em ajuda internacional. Tendo o painel afirmado que isso é devido a má governação, evasão fiscal internacional, corrupção, assim como transferências de dinheiro e acordos de negócios feitos em segredo. O relatório apela aos líderes africanos para adoptar a transparência e responsabilidade na gestão das receitas dos recursos naturais.
Os governos dos oito países mais ricos do mundo ocidental – também conhecidos como  Grupo dos Oito (G-8) reunir-se-ão no próximo mês de Junho no Reino Unido. A agenda é  liderada pelo Primeiro Ministro do Reino Unido, David Cameron, e tem como objectivo aumentar a transparência nas empresas de propriedade anónimas. Uma das recomendações do relatório apresentado é exactamente que as empresas registadas em países do G8 devem ser obrigadas a publicar uma lista completa de todas as suas subsidiárias, seus accionistas, assim como informações sobre receitas globais, lucros e impostos pagos nos diferentes países. As autoridades fiscais, incluindo as autoridades fiscais na África, devem trocar informações de forma mais sistemática.
Isto é uma  particular preocupação em Angola, onde há pouca transparência na prestação de contas das receitas do petróleo e onde a elite política corrupta, facilmente movimenta o dinheiro ao redor do mundo com impunidade, negando a cidadãos pobres o direito a essas receitas e a oportunidade de sairem da linha de pobreza extrema.
O relatório também conclui que Canadá, China e Austrália, países que têm uma forte presença comercial em África, também deviam apoiar padrões de divulgação de projecto por projecto por suas empresas no exterior, legislação que os Estados Unidos da América e a União Europeia recentemente aprovaram. A legislação norte-americana Dodd-Frank Act exige que as empresas de recursos naturais devem divulgar todos os pagamentos que eles fazem aos governos onde operam. Ou seja, uma empresa como a Chevron, por exemplo, devia declarar publicamente todos os pagamentos que faz ao governo angolano por cada um de seus projectos.
Em um editorial publicado na semana passada no jornal dos EUA, The New York Times, o Sr. Annan explica o motivo pelo qual os governos africanos devem colocar a transparência e a prestação de contas no centro das suas políticas públicas de recursos naturais, como a comunidade internacional precisa desenvolver uma legislação rigorosa, vinculativa para a transparência e divulgação, assim como se deve abordar a lavagem de dinheiro nas empresas de propriedade anónimas.
The New York Times
Pare a pilhagem em  África
Por Kofi Annan
Publicado em: 09 de Maio de 2013

Com as economias em África na crista da onda dos produtos de consumo globais, existe uma grande oportunidade sem precedentes para converter a vasta riqueza de recursos da região em investimentos que poderiam tirar milhões de pessoas da pobreza, criar empregos e trazer esperança para as gerações futuras.
Aproveitando essa oportunidade vai exigir fortalecimento da governação apoiada pela cooperação internacional para deter o fluxodas receitas associadas à evasão fiscal, acordos secretos e transferências financeiras ilícitas.
As exportações de recursos naturais têm impulsionado África na lista dos países com maior  crescimento no mundo. Cerca de um terço das economias da região cresceu mais de 6 por cento em 2012. A forte demanda nos mercados emergentes irá contemplar outra década de altos preços para os recursos naturais em África, uma vez que os investimentos estrangeiros estão em ascensão. Moçambique e Tanzânia estão prontos a emergir como grandes exportadores de gás natural. Guiné e Serra Leoa estão a colher lucros inesperados provenientes das exportações de minério de ferro. A demanda pelo cobre da Zâmbia e por cobalto da República Democrática do Congo está a crescer.
Infelizmente, a maré ascendente de riqueza não está a levantar todos os barcos. A pobreza vem caindo muito lentamente, e em alguns países – incluindo Zâmbia e Nigéria – tem aumentado. Poucos governos têm usado o aumento das receitas geradas pela exportação de recursos para combater a crescente desigualdade, construir melhores sistemas de educação e cuidados de saúde, ou fortalecer agricultura familiar. Além disso, a corrupção continua endémica.
Os próprios governos africanos devem abordar estas questões. Eles devem reconhecer a urgência de converter a riqueza de recursos de seu país para o capital humano e investimentos em infra-estrutura sobre a qual dependem o crescimento sustentado e inclusivo . E eles deveriam seguir o exemplo de países como a Libéria e a Guiné, que estão a lutar contra a corrupção, colocando todos os contratos de mineração no internet para o escrutínio público.
Em outras áreas, a acção dos governos africanos por si só não terá sucesso. Como destacamos no Relatório do Progresso em África este ano, nenhuma outra região sofreu mais por evasão fiscal, planeamento tributário agressivo e pilhagem da riqueza nacional através de empresas registadas extraterritorialmente. Esses são problemas globais que exigem soluções multilaterais.
A escala das perdas sofridas em África não é amplamente reconhecida. Preços de transferência por exemplo, a prática de transferir lucros para jurisdições fiscais com custos mais baixos, acarretam custos para o continente em 34 mil milhões de dólares americanos por ano, uma valor superior do que a região recebe em ajuda bilateral. Dito de outro modo, é possível duplicar a ajuda cortando esta versão de fraude fiscal. O uso extenso feito por investidores de companhias estrangeiras que estam registadas extraterritorialmente operam em jurisdições com requisitos mínimos de prestação de contas, logo activamente facilita a fraude fiscal. É quase impossível para as autoridades Africanas, com escassez de pessoal e com poucos recursos, monitorar as reais receitas através do labirinto de empresas de fachada, empresas matriz e entidades extraterritoriais utilizadas por estes investidores.
Tem havido alguns desenvolvimentos recentes que encorajam um resposta multilateral a estes desafios. De acordo com a Lei Dodd-Frank nos Estados Unidos e de acordo medidas comparáveis na Europa, as empresas extractivistas agora são obrigadas a atender altos padrões de divulgação. Muitas empresas, certamente num acto de desespero  estratégico, estão nadando contra a maré da reforma através da abertura de um processo legal contra Dodd-Frank Act. Enquanto isso, o governo britânico tomou a iniciativa em colocar a cooperação internacional em matéria de fiscalidade no centro da agenda do reunião anual de cúpula do Grupo dos Oito no próximo mês.
Esta é uma área em que o G-8 pode fazer uma diferença total. A cúpula deverá servir como uma rampa de lançamento para o desenvolvimento de um sistema global baseado em regras sobre transparência e tributação.
É hora de levantar o véu de segredo pelo qual muitas empresas operam. Cada jurisdição fiscal deve ser obrigada a divulgar publicamente a completa estrutura da propriedade anónima das empresas registadas. A Suíça, Grã-Bretanha e os Estados Unidos são todos os principais canais para finanças extraterritorial, e estes devem sinalizar a intenção de reprimir os fluxos financeiros ilícitos. Tanto o G-8 e com o G-20 devem trabalhar juntos para ampliar o escopo e o alcance da legislação Dodd-Frank.
Também é fundamental que o G-8 ajude a fortalecer os governos africanos. As autoridades fiscais da região estão irremediavelmente mal equipada para lidar com problemas como o preço de transferência, ou para combater transferências ilícitas. É por isso que o Painel Para o Progresso de África apelou ao G-8 para fornecer o apoio técnico, financeiro e administrativo para a construção de capacidade.
Há mais de 50 anos atrás, em muitos estados africanos surgiu a independência, o primeiro presidente do Gana, Kwame Nkrumah, , comentou: "Nunca antes um povo tinha ao seu alcance grande oportunidade para o desenvolvimento para  um continente dotado de tanta riqueza."
Com liderança política em casa e uma cooperação internacional reforçada, podemos aproveitar a oportunidade que Kwame Nkrumah identificou.

Kofi Annan, ex-secretário-geral das Nações Unidas, é presidente do Africa Progress Panel (Painel Para o Progresso da África).
 

terça-feira, 14 de maio de 2013

Cabinda vai contar nos próximos dias com um laboratório para análise a qualidade de águas na região.

A infra-estrutura que está a ser erguida com o apoio da Chevron, localiza-se na aldeia do Gaio e vai poder, quando estiver em funcionamento, analisar as águas contaminadas com crudo resultante da actividade petrolífera na região. O empreendimento foi visitado esta quinta-feira [18 de Abril] por Fátima Jardim, Ministra do Ambiente, que cumpre visita de trabalho esta província .

O laboratório poderá também determinar a origem ou proveniência do crudo que as vezes tem afectado o mar de Cabinda. Em esta sua digressão por Cabinda, a Ministra do Ambiente lançou abrigada do protecção da floresta do Maiombe do âmbito da criação do condição para protecção da biodiversidade.

Francisco Santos director nacional de fiscalização do Ministério do ambiente falo do trabalho da comissão técnica transfronteiriça que integra a Republica Democrática de Congo e o Congo-Brazzaville, onde se espera que Gabão também venha a fazer parte:

“A comissão transfronteiriça para Maiombe que envolve aos dos Congos e que Gabão agora vai aderir; por tanto tenha ávido contactos nesta matéria tenha havido acções a ser desenvolvidas em esta matéria. E penso que o trabalho esta em sequência, esta a andar com alguns positivos.” Francisco Santos director nacional de fiscalização do Ministério do Ambiente.

A visita da ministra Fátima Jardim termina esta sexta-feira.


Nota do editor:

Para além de avaliar o estado das obras do laboratório de qualidade ambiental, a Ministra também teve encontro com os fiscais responsáveis pela integridade ambiental do recém-criado Parque Nacional do Maiombe.

Em 2002, a Chevron foi multada dois milhões de dólares americanos por o Ministério de Pescas e Ambiente para um derramamento de petróleo que poluiu as praias  e forçou os pescadores a parar de trabalhar. Uma investigação do governo descobriram que o derramamento foi o resultado de fugas de oleodutos mal mantidos que são utilizados para transportar petróleo bruto das plataformas. A multa foi, em parte, para compensar pescadores e em parte para financiar o estabelecimento de um laboratório de pesquisa de derramamento de petróleo. O governo provincial de Cabinda anunciou o laboratório pela primeira vez em 2007 - e progresso no laboratório foi parado desde então.

Porém só agora esta a sua fase final, pode colocar algumas questões para debate:

Que mecanismos existem para garantir resultados independentes e críveis sobre impactos de poluição de petróleo de um laboratório que é patrocinado pela mesma companhia que é responsável pelos derrames de petróleo?

Quem serão os cientistas que irão fazer a testagem da qualidade da água?

Até que ponto o envolvimento directo da Chevron na construção do laboratório que irá testar a qualidade da água não gera conflitos de interesses?
                                           Por Cristovao Luemba – Cabinda, Angola
 

Sindicato de trabalhadores da Cabinda Gulf negocia diferença nos Salários



O Sindicato independente dos trabalhadores da Cabinda Gulf Oil Company [CABGOC] empresa de prestação de serviços petrolíferos apresentou esta segunda-feira nesta cidade os resultados das negociações entre este sindicato, CABGOC, Ministério dos Petróleos, Sonangol e empresas de prestação de serviços, sobre a política salarial na [companhia petrolífera] Cabinda Gulf Oil Company.

A existência da diferenças salariais entre os trabalhadores recrutados pelas agências e os recrutados directamente pela CABGOC que já dura muitos anos, tem sido foco de descontentamento dos prejudicados porque as vezes fazem o mesmo trabalho, segundo constatação do sindicato a disparidade salarial chega a atingir um nível de 302%, o que constitui uma violação da lei angolana e sobretudo o Decreto 272 no seu Artigo 17.

Ambrósio Almeida, secretário-geral do sindicato independente dos trabalhadores da Cabinda Gulf Oil Company empresa de prestação de serviços petrolíferos diz ter conseguido um acordo para as empresas Cabestiva e Bel Geme como experiência. [Segundo o Secretário-geral]:

Foi acordado um incremento salarial de 75% sobre o salário base auferido actualmente pelos trabalhadores das empresas Cabestiva e Bel Geme.  Este incremento será implementado de forma faseada e tem efectivo a partir de 1 de Abril de 2013, em 25%. O referido aumento destina-se a um incremento salarial dos trabalhadores sem benefícios para as entidades empregadores. Pagamento de todos os subsídios obrigatórios, requalificação de empregados em postos de trabalho no correspondentes e uniformizar os salários que eles são atribuídos. MINPET e o sindicato vão fiscalizar o cumprimento do aplicação. O incremento salarial de 75% agora acordado não acaba com a disparidade salarial existentes. Apenas ira progredir ate a metade do salário comparado com  o ferido com o trabalhador do CABGOC em duas categorias e actividades iguais. Porem, essa subida embora ainda discriminatória servira para levantar os ânimos dos trabalhadores que certamente sentisse aum humanizados.”[1]

O sindicalista assegurou que a pesar de estas series empresas assinarias do acordo o mesmo vai ser extensivo para as outras agencias. [Continua o Secretário-geral]:

“Ok. Este e um processo que esta ser aplicado no âmbito de Decreto 272 e o sindicato não abdico seu responsabilidade. Isso significa que independentemente da implementação vai ser aplicada agora aos trabalhadores de Cabestiva e de Belgen em 75%. Esse processo será abrangente também por as outras empresas.”

Ambrósio Almeida secretário-geral do sindicato independente dos trabalhadores da Cabinda Gulf Oil Company empresa de prestação de serviços petrolíferos, falando em conferencia de imprensas esta segunda feira sobre acordo resultados das negociações com a CABCOG, Ministério dos Petróleos, Sonangol e empresas de prestação de serviços.


Nota de editor:

Convém relembrar que em Julho do ano passado mesmo secretário acusou a multinacional americana Chevron, concessionária do Campo petrolífero de Cabinda, de dificultar a actividade sindical na indústria petrolífera de Cabinda e de continuar aplicar uma política salarial discriminatória aos trabalhadores angolanos[2].

Angola's stolen oil wealth interrogation – CNN


Crianças morrem na sequência do incidente nas instalações de enchimento de gás

Fonte: Angop


Quatro, das 14 crianças vítimas de um incidente nas instalações de enchimento de gás, no bairro Petrangol, em Luanda, morreram nos dias 10, 11, 12 e 13 deste mês, na Clínica Girassol, informou hoje à Angop o director do Gabinete de Comunicação e Imagem da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), João Rosa Santos.

De acordo com a fonte, as 14 crianças vítimas do mesmo incidente deram entrada no Hospital Neves Bendinha no dia 6 de Maio, sendo que 11 das quais foram depois transferidas para a Clínica Girassol.

Das mortes na sequência desse incidente, de acordo com a mesma fonte, uma registou-se no Hospital Neves Bendinha, a 8 ou 9 de Maio, e quatro na Clínica Girassol, onde também sete vítimas do acidente estão a ser tratadas.

A fonte informou que o presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Francisco de Lemos José Maria, dirigiu-se, hoje, às casas dos familiares das vítimas para apresentar condolências , bem como visitou as crianças internadas na Clínica Girassol e o local do incidente, onde orientou a instauração de um rigoroso inquérito para se apurar as causas.

Num comunicado, enviado hoje à Angop, a Sonangol apresenta às famílias enlutadas os seus sentimentos de pesar e reitera a sua solidariedade para com todas as vítimas do referido incidente.Segundo a mesma empresa, o incidente foi resultado de uma avaria de uma bomba hidráulica, o que originou o disparo da válvula de alívio da esfera, libertando uma nuvem de gás.

Numa nota anterior, a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola informara igualmente que decorriam investigações para se apurar as causas dessa ocorrência e reafirma o seu total empenho no sentido de assegurar a continuidade do normal funcionamento da Instalação de Enchimento de Gás da Petrangol.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

BP tem stocks controversos para combater derrame de petróleo

Tim Webb, Luanda
The Times
Publicado 26 de Abril 2013
 
A BP tem utilizado um dispersante tóxico, Corexit, que é proibido na Grã-Bretanha, tendo o mesmo dispersante sido utilizado após o desastre do Golfo do México, um  grande derrame offshore.  De acordo com o presidente regional da BP Angola, Martin Morris, o grupo tem Corexit suficiente armazenado em Angola para lidar com 50 mil barris por dia de derrame, durante dez dias.

A BP deverá produzir mais petróleo offshore durante este ano em Angola do que no Golfo do México. A BP planeja uma grande campanha de perfuração em águas profundas do próximo mês de Abril em blocos "pré-sal" – assim chamados porque as jazidas de petróleo estão por baixo de uma grossa crosta de sal no subsolo marinho.

Jackie Savitz, vice-presidente adjunto da campanha nos EUA no grupo ambientalista Oceana, disse: "Os dispersantes são tóxicos. Eles oferecem uma falsa sensação de segurança. Corexit não fez o derrame no Golfo do México desaparecer, pois somente mudou a maneira como aparecia". Ela admitiu que era difícil provar o impacto que o dispersante tem, mas acrescentou: "As pessoas não aceitam que não esta bem despejar produtos químicos tóxicos no ambiente aquático natural aonde nós temos a nossa comida."

Cerca de três milhões de litros do produto químico tóxico foram despejados no Golfo após o desastre da plataforma Deepwater Horizon, há três anos. A BP acredita que o Corexit quebrou a mancha, impedindo que o petróleo atingisse a costa da Louisiana em grandes quantidades. Mas pouco se sabe sobre o impacto ambiental de longo prazo do uso do produto químico tóxico em uma escala sem precedentes, e a questão tem dividido os cientistas.

A Agência de Protecção Ambiental, órgão regulador dos EUA, deu a BP 24 horas em Maio de 2010 para encontrar uma alternativa menos tóxica, mas a empresa disse que Corexit foi o dispersante menos prejudicial e adequando. Logo depois, a EPA ordenou a BP a cortar o uso de Corexit até 75%. O organismo mais tarde liberou estudos científicos que mostram que Corexit não era mais ou menos tóxicos do que os oito outros dispersantes alternativos que também foram testados.

A BP reforçou sua resposta a um derramamento de petróleo desde então. A Empresa agora tem um dispositivo de nivelamento concebido para lidar com qualquer caso de derrame em Angola. Mas já que isso pode levar cerca de 30 dias para implantar, a empresa, no entanto, tem que usar grandes quantidades de dispersante.

Morris disse: "Nós temos um grande volume de dispersante disponível no caso de um problema. É a mesma coisa que usamos no Golfo do México. Eu não estou ciente de haver nada melhor no mercado de  momento. "

Bob Dudley, chefe executivo da BP, defendeu o uso de Corexit na recente reunião anual do grupo, dizendo que foi aprovado pela EPA, com autoridades dizendo que os níveis de toxicidade não foram piores do que xampu comum.

Mas os ambientalistas argumentam que, apesar do dispersante ajudar a manter o petróleo fora da superfície do mar, as substâncias químicas que contém podem ser prejudiciais a vida marinha e a cadeia alimentar marinha.
(Traduzido do original em Inglês.)